Ponto de Vista: Leonardo
O dia na pousada passou em uma nota mansa, mas para mim, cada hora era um ensaio para a conversa que eu sabia que precisávamos ter. Eu ajudei o Tião a organizar o estoque e passei um tempo na cozinha ouvindo as histórias da Fátima, mas meus olhos não saíam da Maya. Eu a via circular pelo café literário, ajeitando os livros com aquele cuidado quase sagrado, e me perguntava quanto tempo aquela paz duraria se eu ficasse.
Quando a noite caiu, decidimos sair. Não para fugir, mas para ocupar o nosso lugar.
Caminhamos até o Bar do Deck de mãos dadas. Porto do Silêncio nos recebeu com aquele silêncio cúmplice de quem já nos considera parte da mobília. Sentamos em um canto, longe do burburinho da mesa de sinuca, onde o som das ondas era mais alto que as vozes.
— Eu não quero que Porto do Silêncio seja apenas o meu esconderijo, Maya — comecei, buscando a mão dela sobre a mesa de madeira gasta. — E não quero que você seja o meu segredo.
Ela olhou para o horizonte, onde o