Ponto de Vista: Maya
Os dias que se seguiram à nossa conversa no Bar do Deck foram como uma lição de anatomia emocional. Eu sempre achei que a paz era um estado de isolamento, uma redoma de vidro que eu tinha construído em Porto do Silêncio para que ninguém pudesse me quebrar de novo. Mas o Leonardo, com sua presença vibrante e sua risada rouca, estilhaçou o vidro e me mostrou que a paz também pode ser barulhenta, suada e cheia de planos.
Ele não ia parar. Eu via isso no brilho dos olhos dele sempre que ele falava sobre os arranjos novos, ou quando ele passava horas no canto do café literário, com o fone de ouvido em apenas uma orelha, batucando o ritmo de uma canção que ainda estava nascendo. O Leo ama o que faz. Ele ama ser a voz que ecoa nos fones de milhões de pessoas, e eu nunca pediria que ele deixasse de ser o sol para ser apenas uma vela dentro da minha pousada. O que estávamos construindo ali era algo mais complexo: ele estava fincando os pés no meu chão para poder voar mais