Ponto de Vista: Leonardo
Eu estava paralisado. No centro da academia que eu mesmo ajudei a erguer, com o cheiro de madeira nova e o som do mar ao fundo, o mundo que eu achava que tinha sob controle simplesmente se transformou. O pequeno sapatinho de lã branca entre os meus dedos parecia pesar mais do que qualquer responsabilidade que já tive na vida.
— Um filho, Maya... — a palavra saiu como um sopro, uma nota que eu nunca tinha cantado.
Senti um soco de adrenalina. Primeiro, uma alegria tão selvagem que me deu vontade de subir no telhado e gritar para o oceano. Depois, o medo. Um medo frio e cortante que me fez tremer. Como eu seria pai? Eu, que vivi anos em hotéis, aviões e camarins? Como proteger uma criança do brilho agressivo dos flashes que quase destruíram o meu noivado?
Minha mente deu um salto para o futuro. Os shows, a turnê que o Marcos já estava rascunhando, a fama... Tudo mudou de perspectiva. A academia onde estávamos não seria apenas para treinos, mas o lugar onde eu en