Ponto de Vista: Maya
Três meses se passaram como se estivéssemos vivendo dentro de uma bolha de sabão: linda, iridescente, mas perigosamente frágil. A minha barriga, que antes era apenas um segredo guardado entre o Leo e eu, começou a desenhar uma curva suave, impossível de esconder sob os vestidos leves de linho que eu costumava usar na pousada.
O Leo, fiel à sua promessa de "blindagem", não descansou um segundo. A compra da Ilha da Sentinela foi finalizada em tempo recorde. Ele não queria apenas um terreno; ele queria um santuário.
— Vamos lá hoje? — ele perguntou, surgindo na cozinha enquanto eu tentava, sem muito sucesso, ignorar o enjoo matinal com um chá de gengibre. — O Marcos disse que os advogados confirmaram: a ilha é oficialmente nossa. Ou melhor, sua. É o seu presente.
Fomos no mesmo barco de madeira, o "disfarce" favorito do Leo. Mas desta vez, o sentimento era diferente. Ao encostarmos na areia branca daquela enseada que tínhamos batizado de nosso refúgio, não éramos ape