Ponto de Vista: Maya
O silêncio do banheiro da casa de pedra parecia amplificado. Eu conseguia ouvir o som da minha própria respiração, curta e acelerada, e o barulho rítmico das ondas lá fora, que agora soavam como batidas de um coração que não era apenas o meu. Na minha mão, o bastão de plástico parecia pesar toneladas. Olhei para a janela, onde a luz do final da tarde tingia tudo de um laranja profundo, e respirei fundo antes de baixar os olhos.
Dois traços. Vermelhos, firmes, inquestionáveis.
O mundo ao meu redor não apenas parou; ele se desintegrou e se reconstruiu em uma fração de segundo. Senti um choque elétrico percorrer minha espinha, seguido por uma onda de calor que me deixou tonta. Era um caos completo dentro de mim. O medo veio primeiro — um medo primitivo de não saber ser o que aquele sinal exigia, de ver minha vida mudar de forma irreversível. Mas, logo atrás, veio uma alegria tão pura e selvagem que me fez perder o fôlego. Um filho do Leo. Um pedaço de nós, gerado no