Ponto de Vista: Leonardo
Os dias em Porto do Silêncio tinham um peso diferente de qualquer lugar no mundo. Aqui, a gravidade não me puxava para baixo; ela me mantinha no eixo. Cada manhã que eu passava ajudando o Tião a lixar os bancos do jardim ou ouvindo os conselhos curtos da Fátima sobre o ponto exato do café, eu sentia que estava recuperando pedaços de um Leonardo que eu tinha deixado pelo caminho há anos. Mas a música... a música nunca parava. Ela vibrava em mim, alimentada pelo silêncio da Maya.
Eu sabia que o álbum era um fenômeno. Mesmo "fora do ar", eu sentia o tremor da terra. O celular na gaveta da cabeceira era um vulcão prestes a entrar em erupção. Quando finalmente o liguei, as centenas de mensagens da gravadora e do meu empresário não eram apenas cobranças; eram lembretes de que eu tinha uma responsabilidade com as pessoas que mantinham meu sonho vivo. Meus fãs. Aqueles que ouviram cada letra que escrevi para a Maya e transformaram minha dor em hinos nacionais.
Eu não