Ponto de Vista: Leonardo
O sol de Porto do Silêncio ainda lutava para atravessar a neblina matinal quando me sentei à mesa de madeira maciça da nossa cozinha nova. O cheiro de café fresco misturava-se ao aroma de verniz da reforma recente, criando uma atmosfera que eu queria engarrafar e levar comigo para cada arena lotada que me esperava. A buzina do SUV que me levaria para o aeroporto ainda não tinha soado, mas o relógio na parede era um carrasco silencioso.
Eu olhei para a Maya, que mexia o café distraidamente, e meu peito apertou com a ideia de passar trinta dias sem o som da voz dela ao vivo.
— Maya, senta aqui. Antes do Marcos bater no portão, eu preciso te falar uma coisa — comecei, segurando as mãos dela. — A gravadora comprou um jatinho para essa turnê. O álbum explodiu de um jeito que a logística comercial ficou insana. Mas eu quero que você saiba que, para mim, esse avião não é um símbolo de status. É uma ferramenta de tempo.
Ela me olhou com atenção, e eu apertei seus dedo