Ponto de Vista: Maya
O retorno para Porto do Silêncio teve um gosto de vitória silenciosa, mas a calmaria durou pouco no meu cronograma. Assim que cruzamos o portão do Recanto, o mundo real me puxou pela manga. Era lençol para conferir, fornecedor de peixe cobrando entrega e hóspedes novos chegando. Mas o Leo... o Leo estava com uma energia diferente. Ele não queria mais ser apenas um visitante no Quarto 4. Ele queria fincar raízes.
— Maya, eu não posso mais viver de mala. Eu preciso de um lugar meu aqui — ele disse, com aquela determinação que ele usa para alcançar a nota mais alta de uma música.
Eu me dividi. Metade de mim queria largar as planilhas da pousada e sair correndo com ele por cada ruela da vila atrás dessa casa; a outra metade sabia que as contas não se pagavam sozinhas. Passamos a primeira manhã nesse vaivém. Eu corria na recepção, ele aparecia na janela com um anúncio de "vende-se". Eu ia para a cozinha, ele me buscava para ver uma fachada de pedra.
Quando finalmente p