Ponto de Vista: Maya
O ritmo dos dias em Porto do Silêncio mudou. A casa de pedra e madeira, que o Leo construiu com tanto afinco, tornou-se parte da minha rotina. Eu passava lá todos os dias, abria as janelas para o ar do mar circular, cuidava das plantas e conferia se o estúdio estava em ordem. Ainda era a casa dele, um santuário que eu protegia com zelo enquanto ele enfrentava as multidões. No Recanto da Maré, a vida seguia agitada, mas eu já não era a mesma mulher que se escondia atrás do balcão.
Decidi que não iria apenas esperar. Matriculei-me na academia da cidade vizinha e passei a frequentar o salão com regularidade. Ver meu corpo ganhando novas formas e meu rosto descansado no espelho me trazia um tipo de paz que eu não sentia há anos. Eu estava florescendo, não para o mundo, mas para mim mesma.
À noite, o Bar do Deck era o meu refúgio. Entre um suco e outro, eu conversava com o Tião e a Fátima.
— O Leo mandou um vídeo novo, Maya? — Fátima perguntava, com os olhos brilhando.