Ponto de Vista: Maya
Eu nunca soube o que era força de verdade até aquela noite. Entre o clarão dos relâmpagos e o brilho trêmulo das velas, o mundo se resumiu ao som da minha própria respiração e ao toque firme das mãos do Leo nas minhas. Quando a Fátima finalmente anunciou que a hora tinha chegado, o medo que me acompanhou durante toda a gravidez desapareceu, dando lugar a um instinto primitivo de sobrevivência.
— Mais uma vez, Maya! Com força! — a voz da Fátima era o meu único norte.
Eu dei tudo o que me restava. Senti meu corpo ser levado ao limite e, de repente, o peso saiu de mim. O choro dele — agudo, forte, cheio de vida — finalmente ecoou pelas paredes de pedra, abafando o barulho da tempestade lá fora. Eu estava exausta, trêmula, mas meus olhos buscavam desesperadamente o rosto do Leo.
— Leo... o que é? — sussurrei, a voz quase sumindo.
Nós tínhamos decidido, desde que o primeiro teste deu positivo, que não queríamos saber o sexo.
Queríamos que o Porto nos desse esse present