NOAH
A manhã começou com uma tentativa de normalidade.
Ella estava sentada à mesa, com as mãos envolvendo a xícara de chá que minha mãe tinha recomendado para ajudar nos enjoos. Márcia observava cada movimento da filha com um cuidado quase sufocante, como se o simples ato de respirar pudesse colocar tudo em risco. Eu tentava sorrir, tentar fazer aquele café da manhã parecer apenas isso — um café da manhã comum.
Mas nada era comum.
Nada seria por muito tempo.
— Vai dar tudo certo hoje — Ella disse, percebendo meu silêncio. Seus olhos me procuraram com aquela mistura de força e fragilidade que só ela tinha. — Você não precisa carregar tudo sozinho.
Inclinei-me para beijar sua testa, demorando um segundo a mais do que o necessário.
— Volto o mais cedo que puder.
No caminho até a empresa, tentei organizar a mente. Ser CEO não era apenas um cargo novo. Era uma guerra silenciosa, cheia de decisões que poderiam destruir ou salvar tudo o que minha família construiu — e agora, mais do que nunc