ELLA
Três meses.
Era isso que meu corpo marcava desde a última vez que pisei fora de casa sem medo, sem cálculo, sem alguém me dizendo para sentar, deitar ou respirar fundo. Quase cinco meses de gestação. E, ainda assim, eu me sentia presa em um tempo que não avançava.
Eu amava meu bebê com tudo o que existia em mim. Sentia cada pequeno movimento como um lembrete de que eu estava viva, de que havia algo crescendo apesar de tudo. Mas havia dias em que a frustração me engolia.
O apartamento, que