ELLA
Três meses.
Era isso que meu corpo marcava desde a última vez que pisei fora de casa sem medo, sem cálculo, sem alguém me dizendo para sentar, deitar ou respirar fundo. Quase cinco meses de gestação. E, ainda assim, eu me sentia presa em um tempo que não avançava.
Eu amava meu bebê com tudo o que existia em mim. Sentia cada pequeno movimento como um lembrete de que eu estava viva, de que havia algo crescendo apesar de tudo. Mas havia dias em que a frustração me engolia.
O apartamento, que antes tinha sido meu refúgio, agora parecia pequeno demais. As paredes guardavam silêncios longos, interrompidos apenas pelas mensagens de Noah perguntando se eu estava bem, se precisava de algo, se tinha comido. Ele fazia tudo com tanto cuidado que doía — porque eu sabia que aquele zelo vinha do medo.
Do medo de me perder.
Do medo de perder o nosso filho.
E, acima de tudo, do medo do homem que ainda rondava nossas vidas como uma sombra invisível.
Henrique estava solto.
Essa verdade nunca deixav