CRISTINA
Eu não dormi.
Talvez tenha cochilado por alguns minutos, sentada na poltrona do quarto, encarando a parede como se ela pudesse me devolver respostas. Mas dormir, de verdade, não aconteceu. Porque quando uma mulher passa a vida inteira fingindo que não vê, que não ouve, que não sabe… chega um momento em que a conta vem. E ela vem cara.
Henrique sempre gostou de poder. Mais do que de pessoas. Mais do que da própria família.
Eu vi isso cedo demais — e, ainda assim, escolhi a comodidade do silêncio.
Mas não mais.
Entrei na Alvarenga Holdings naquela manhã com passos firmes e uma decisão tomada. O prédio parecia o mesmo de sempre: vidro, aço, luxo. Mas, para mim, tudo estava diferente. Porque agora, cada centímetro daquele império me lembrava de uma única coisa: ele existia por causa da minha família. Do meu pai. Do meu sobrenome.
E eu tinha permitido que Henrique se comportasse como dono.
Nunca foi.
Os advogados estavam reunidos em uma das salas quando entrei sem anunciar. O silê