Capítulo 8

Eu concordei. Meu instinto me dizia que se eu quisesse continuar viva, não poderia contrariá-lo. Com minha permissão forçada, deixei que Ryan me reivindicasse e satisfizesse todos os seus desejos reprimidos. Fui arrastada até seu quarto e lançada sobre a cama sem delicadeza. Fechei os olhos, o coração martelando contra o peito.

Ele não esperou hesitação. Sua presença me sufocava, suas mãos me prendiam, seu toque me fazia encolher. Eu tentei me desligar do momento, concentrar-me em qualquer outra coisa, mas a realidade me atingiu com força. O peso dele sobre mim roubou o ar dos meus pulmões, e eu mal conseguia reagir.

A dor veio, rasgando qualquer resquício de esperança que eu ainda guardava. As palavras sussurradas em meus ouvidos não passaram de ecos distantes, misturadas com promessas vazias que se perderam no escuro.

Senti-me tonta ao mesmo tempo que uma ânsia de vômito subia a cada vez que o corpo dele batia contra o meu. Eu precisava continuar consciente, ou um desastre poderia ocorrer e então, sem dúvidas, seria meu fim. Apertei as mãos com força contra o lençol, lágrimas transbordando enquanto sentia um calor estranho pulsar dentro de mim.

— Não pense que acabou, Mia. Estou só começando com você — disse ele. Não respondi a isso, não conseguia. O amor que eu tanto ansiava se converteu em algo obscuro.

Por algum motivo, Ryan parecia mais controlado e tranquilo agora, enquanto olhava para mim longamente. Seu olhar vagou pelo meu corpo, e em seguida para a mancha de sangue na cama. Então deslizou os dedos pelo meu corpo com suavidade.

— Você é tão frágil. Sinto que se não puder me controlar, posso acabar te quebrando. Não serei mais tão bruto, eu prometo. Só não diga de novo que quer ir embora, pois eu realmente não posso aceitar isso.

Assim que falou isso, seus lábios desceram até os meus, exigindo um beijo que eu não queria dar e, ainda assim, o correspondi. Eu não conseguiria ficar consciente se tivesse que passar por outra sessão de tortura como aquela, e o medo me fez ceder. Mesmo que aparentemente o perigo tivesse passado, Ryan ainda parecia sedento, sua boca varrendo meu corpo como se procurasse algo mais.

"Se meu corpo é a moeda de troca para a sobrevivência, então que seja!" pensei, segurando as lágrimas. Quanto ao que eu deveria sentir? Eu não sabia ao certo. Humilhação, dor, raiva... já senti tudo inúmeras vezes mais do que agora, e ainda estava aqui, persistindo em me levantar a cada queda.

Não soube dizer quanto tempo passou até que ele finalmente se afastou. Meu corpo permaneceu rígido, tenso, como se cada músculo se recusasse a funcionar. Quando consegui abrir os olhos, Ryan me observava, satisfeito.

— Você é minha agora, Mia — murmurou, enxugando delicadamente uma lágrima que me escapara. — Se quiser continuar viva, só precisa entender isso.

Não respondi, não conseguia. Sentindo-me quebrada, meu corpo cedeu a exaustão. Acordei completamente sem forças, com a sensação como se Ryan ainda estivesse dentro de mim. No entanto, ele estava sentado ao lado da cama, devidamente vestido, encarando-me com um olhar sério.

— Não me olhe assim — disse ele, sorrindo com deleite. — Como pode continuar tão fria depois de ter se entregado a mim? Admita, foi uma noite maravilhosa.

"Maravilhosa para quem?", pensei, com raiva.

Fiquei imóvel, tentando controlar a respiração enquanto estudava a situação. Ryan teve o cuidado de me cobrir com o cobertor para que eu ficasse quentinha e ainda me esperou acordar. Ele parecia calmo o suficiente para eu dizer que ele não me faria mal, mas isso poderia mudar drasticamente a depender do que eu dissesse.

— O que você quer de mim? — perguntei, segurando com força o cobertor ao meu redor enquanto me sentava.

— Você sabe a resposta para isso — disse ele, inclinando-se na minha direção. — Acredito que seja inteligente o bastante para entender a sua posição. Você, uma órfã sem lobo, não serve para ser a futura luna desta alcateia. Mas não vou deixá-la desamparada. A partir de agora, será minha serva pessoal. Alguém tão fraca e frágil como você jamais conseguiria sobreviver sozinha. Eu sou sua única saída.

Fechei os olhos por um instante. A rejeição não era uma surpresa, mas o restante fez meu estômago revirar. Ainda assim, eu não tinha escolha. Se queria sobreviver, precisaria suportar o que viesse dali em diante.

Eu não gostava da ideia de ser serva a dele, mas o quão mais difícil seria do que ser serva da Ilda? Mesmo que eu dissesse que não, ele não aceitaria. Eu sabia o que ele era de verdade e quanto poder ele possuía, alguém com quem eu não poderia me opor no momento.

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