Otávio
Acordei antes do sol nascer, como sempre. A cidade ainda dormia, mergulhada em um silêncio raro que durava pouco. Mas naquela manhã, nem o silêncio me acalmava. Estava inquieto.
Levantei, vesti meu terno azul escuro com gravata de linho combinando. O mesmo ritual de todos os dias. Mas o café não descia com a mesma fluidez de sempre. Era como se um nó morasse na minha garganta.
Caminhei até a varanda com a xícara na mão. O céu, ainda escuro, começava a ganhar nuances azuladas no horizont