Ana não voltou para casa naquela noite. Dormiu num pequeno hotel simples na cidade, pagando com o dinheiro que guardava para o curso. Não conseguiu dormir direito. Toda vez que fechava os olhos, voltava a mesma imagem: a dor abdominal forte, o sangramento, o olhar do médico dizendo “Sinto muito”. O bebê que ela nem chegou a sentir se mexer, mas que já amava com uma força que doía, a briga com Pedro, as palavras duras.
No dia seguinte, pela manhã, ela ligou para Pedro, a voz dele saiu rouca, exa