A madrugada chegava devagar, sem pressa, como quem entende a dor de quem precisa dela longa. Na clínica improvisada da ONG Raízes do Morro, as luzes estavam baixas, e o silêncio era tão pesado quanto a esperança.
Zóio, o moleque que todos juravam ter se perdido, agora estava ali. Vivo. Mas frágil como nunca. O corpo parecia menor, mais magro, desidratado, coberto de hematomas e cicatrizes novas. A bala havia sido retirada. O sangue doado — por Cebola, Barril e Theo — já corria nas veias dele. M