Mundo de ficçãoIniciar sessãoJéssica procura um emprego de enfermeira, e quando recebe a oportunidade de ser babá da irmã de um bilionário com um super salário, não pensa duas vezes. Ela só não sabia que o bilionário é um caipira virgem e solteirão convicto que é lindo e gostoso. E fica completamente obcecado por ela.
Ler mais― Jéssica Belmonte!
Eu me levanto rápido. Mas não tão rápido. Quero passar a impressão de que desejo o emprego, mas não estou desesperada. A atendente continua digitando alguma coisa no computador quando me aproximo do balcão.
― Oi! Sou eu.
― Identidade.
Abro minha bolsa fúcsia Armani e a carteira da mesma marca e puxo o documento, e o coloco ao lado do teclado com uma delicadeza quase cirúrgica.
Por um segundo ela ergue os olhos entediados, e devolvo um sorriso aberto, dentes imaculadamente brancos, fruto de um clareamento de meses na dentista do bairro em que eu morava.
A atendente de cabelos precocemente grisalhos, esticados para trás em um coque baixo e austero, pega a identidade e confere com os dados que eu mesma cadastrei, dias atrás.
A mulher se levanta, devolve a identidade e sai andando apressada em direção a um dos muitos corredores do hospital.
Sem saber direito o que fazer, se sigo, se espero, se respiro, fico sentada, cuidando para não amarrotar o terninho branco que trouxe em meu carro com 36 prestações pendentes, dentro de uma capa protetora para não amassar e nem sujar.
Há diversas mulheres aguardando para a entrevista, algumas lendo revistas, outras mexendo no celular. Ninguém assiste o telejornal matutino e inútil.
Depois de cinco minutos ela reaparece.
― Siga por este corredor, terceira sala à esquerda, gerência de RH.
Repito mentalmente o que a mulher acaba de dizer para registrar e não entrar na sala errada. Primeira porta, segunda porta, terceira porta. Corredor iluminado, piso de porcelanato branco brilhante e impecável. Limpo num nível que dá até medo de respirar errado.
Essa é a oportunidade do século. Eu não vim do Rio até São Paulo à toa. Esse emprego é meu.
Coloco a mão na maçaneta, e sinto a barriga revirar. Um ronco alto me assusta.
Droga, preciso ir ao banheiro. Não vou aguentar. Entro ou não entro na sala de entrevista?
Tiro a mão da maçaneta e olho ao redor. As gotas de suor brotam em minha testa.
Um som reconfortante reverbera atrás de mim, a descarga de um vaso sanitário.
Tem um banheiro por aqui, graças a Deus. Click.
A porta se abre e um senhor engravatado e suado sai do banheiro. Ele passa por mim e inclina a cabeça. Eu imito o gesto e minha barriga borbulha com mais intensidade.
Espero o senhor sair do meu campo de visão e entro no banheiro. Por via das dúvidas, tranco a porta, assim, não corro o risco de alguém entrar e me incomodar. Eu preciso desesperadamente de privacidade.
Inspeciono o local rapidamente. Tudo certo na medida do possível para um banheiro público. Não é a higiene que me permitiria lamber o chão, mas dá pro gasto.
Forro o assento e consigo dar vazão ao mal que me aflige.
O problema é que a dor de barriga vai e volta. Deve ser a ansiedade… ou a coxinha que eu comi na minha parada no GRAAL no meio da madrugada.
Já era, eu só saio daqui quando me sentir melhor. Jamais faria uma entrevista me contorcendo de dor e fazendo ruídos desagradáveis com a barriga. Ou sabe-se lá mais o quê.
Para a minha sorte, tem ar-condicionado no banheiro e após quarenta minutos sentada, finalmente me sinto aliviada.
Dou descarga e ao girar a tranca do reservado… ela não gira. Jéssica, calma. Respiro, giro para o outro lado. Nada. Nem se mexe. Nem uma balançadinha. Puta que pariu. Só me faltava essa.
Sacudo a porta. Puxo. Empurro. Meu Deus, eu estou trancada. Pior, estou trancada duas vezes. A porta do reservado e a porta do banheiro.
Ai, Jesus, misericórdia, me tira daqui! Rezo e já começo a me ajoelhar quando me lembro do meu terninho branco. Ajoelhar não rola.
― Para, Jéssica. Não entra em pânico. Tenta de novo.
E tento. Click. A tranca gira leve como bolha de sabão.
Pronto. Estou esbaforida e descabelada. Dou uma olhada no espelho. Aplico meu óleo coreano em meus cachos, reforço o batom e retoco o blush.
Pronto, dignidade de volta. Saio do banheiro renovada e bato à porta. Batidas firmes e audíveis, sem exagero para não parecer agressiva e abro a porta da gerência de RH. Lá dentro, duas mulheres conversam. A mulher atrás da mesa me olha curiosa.
― Pois não?
Jogo meu cabelo por cima do ombro e fecho a porta atrás de mim. Ergo a cabeça para mostrar que estou à vontade dentro da sala.
― Eu sou a Jéssica Belmonte. Vim para a entrevista.
A mulher elegante de cabelos lisos e pretos de corte Chanel, estica o olho de lado para um montinho de pastas. Ela o vasculha e pega a minha.
― Jéssica, eu te chamei há mais de uma hora. Pensei que tivesse desistido.
Droga. Meu rosto esquenta.
― É que… eu fiquei trancada no banheiro. Sem querer.
― Ah…
A moça sentada diante da entrevistadora solta um risinho. Ela vai me mandar embora. Preciso dar um jeito de controlar a situação. Antes que ela diga qualquer coisa, me adianto.
― Então… Eu vou ficar aqui do lado de fora aguardando. Tudo bem?
― Faça isso. ― Ela assente séria.
Saio da sala e fico plantada ao lado da porta. Ainda bem que meus scarpins Louboutin são muito confortáveis. Mentira. Não são, mas preciso me convencer que sim e esperar com paciência e um sorriso no rosto.
Depois de um tempão, o suficiente para desejar ardentemente me sentar no chão e ficar descalça, a sujeitinha que riu de mim sai com um sorrisinho tosco nos lábios.
Eu não dou oportunidade para que ela feche a porta. Enfio a cabeça e lanço meu sorrisão escancarado para a entrevistadora.
― Posso entrar?
― Tem certeza de que o seu irmão vai concordar com isso, Maria Luiza?A menina está deslumbrada aqui no shopping. Se eu fosse bilionária, como ela é agora, eu estaria também. Então, não posso julgar.Eu estou com o cartão Black do Alexander e já entramos nas melhores papelarias, lojas de mochilas e livrarias. E já gastamos um dinheirão.Para uma criança que cresceu no interior, a danadinha tem um gosto bem apurado. Escolheu uma mochila e uma merendeira cor-de-rosa combinando, repletas de borboletas e vários detalhes purpurinados, o uniforme da escola, ela experimentou e pediu para ajustar o tamanho.Com o sobrenome e a grana que ela tem, a vendedora já mandou os uniformes, mais de um, para as costureiras arrumarem enquanto compramos o restante do material e almoçamos. Mais tarde voltaremos lá e estará tudo pronto. Afinal, amanhã ela já começará a frequentar a escola.― O meu irmão já deixou, Jéssica. E ele sabe muito bem que eu preciso estar apresentável na escola. Já conversamos a re
Saio do ateliê carregada de sacolas de tamanhos variados. O senhor Alexander foi mesmo generoso comigo. Quando eu trabalhava no hospital eu tinha o uniforme da unidade, no entanto, eu desembolsava os custos do uniforme e dos meus calçados. Agora, não. Além das roupas serem belíssimas, eu ainda recebi dois pares de sapatos de couro legítimo de primeira qualidade.Agora eu preciso me encontrar com a Maria Luiza para comprar o material escolar dela. Pego um táxi que em pouco tempo me deixa na mansão Pamplona.Sou recebida por uma menina bonita, de banho tomado e pronta para sair. Um vestido cor-de-rosa simples adornado por um laço de fita na cintura e uma sapatilha da mesma cor dão a ela um ar angelical. O cabelo está com duas tranças amarradas com laços de fita também cor de rosa e ela está sentada no sofá brincando com um pote de vidro.― Nossa, que moça bonita e arrumada! Dá para sentir daqui o cheirinho de xampu. Foi seu irmão que te arrumou?Ela me repreende com os olhos.― Eu sou u
“Alexander”Eu tô muito encafifado com essa novidade. Minha mãe estudou nessa escola chique? Como isso é possível? Ela sempre foi uma mulher simples, cuidava da casa como uma mãe normal, fazia comida, limpava a bagunça, alimentava os animais e vivia feliz com o meu pai.Mas, pensando bem, ela nunca comentou sobre o passado. Eu não conheci meus avós ou primos. E nunca vi necessidade, pois tinha vizinhos e amigos que frequentavam a minha casa e eu as deles.― Está tudo bem, senhor Alexander?Carlos me desperta dos pensamentos.― Para onde estamos indo, Carlos?Nossos olhares se cruzam pelo retrovisor.― O senhor já se esqueceu? Vamos ao alfaiate e depois o senhor tem horário com o barbeiro.Sinto um frio na barriga. Eu não tô acostumado com essas frescurada de homem rico, não. Fecho os olhos com força e só penso em minha irmã. Eu não posso decepcioná-la. Essa chance nos foi dada e eu sou o responsável por ela.Me encho de coragem e abro os olhos.― Perfeito, Carlos. Mal posso esperar.E
Uma loja de uniformes profissionais. Reviro os olhos. Deve ser aquela roupa de empregada, brega e humilhante. Pensa, Jéssica. Vai economizar as suas roupas, fora que ninguém tem nada a ver com a sua vida e você vai ganhar muito mais que várias mulheres que trabalham de terninho e vestidos caros.Melhor eu me conformar logo com essa história de uniforme. A loja fica na Avenida Paulista e é simples. Vitrines de ambos os lados com uniformes variados e uma vitrine central com calçados. É, até que as roupas daqui não são tão xexelentas.― Bom dia, posso ajudar?Um senhorzinho baixinho e encurvado vem me atender.― Oi, bom dia. Disseram lá no meu trabalho para eu vir aqui buscar o meu uniforme.Ele me examina com cuidado. Deve ter mais de oitenta anos. Ele caminha com passos incertos em direção ao balcão. Gente, é sério que esse vovozinho ainda trabalha? Deveria ficar em casa cuidando dos netinhos.― A senhorita é a babá da família Pamplona, não é? Senhorita Jéssica Belmonte.Ele confere as
Último capítulo