Liam
A porta fechou-se atrás de nós como um selo definitivo. O ar da casa nunca me pareceu tão limpo e ao mesmo tempo tão carregado. Julie estava na casa da madrinha — a amiga de Ana que virou porto de Julie — e isso deu aquelas paredes um respiro que eu não ousava até então roubar: a casa era só nossa, por uma noite. Só nossa e o silêncio cúmplice das coisas que ainda precisavam ser ditas com o corpo.
Ela me olhou no carro, enquanto eu estacionava com as mãos ainda sujas de pólvora e cinzas. Vi a escuridão passar pelos seus olhos e, por um segundo, pensei que fosse desabar. Em vez disso, ela sorriu com uma fraqueza tão verdadeira que me desmontou. Carreguei-a até dentro de casa, a cada passo meu medo para que ela não sentisse o mundo rodar com a força de tudo o que aconteceu.
— Fica aqui — eu disse baixo, num comando que mais soava como pedido. — Hoje você fica. Eu cuido de você hoje, amanhã e sempre. Só fica…
Ela assentiu, a cabeça encostada no meu ombro. Havia remendos no corpo e