Liam
O mundo reduziu-se a uma única linha reta: o galpão, a estrada, o som do motor cortando a madrugada. Não havia cenário, não havia pensamento que não coubesse nessa urgência. Cada quilômetro que eu deixava para trás queimava a imagem dela no carro — as correntes, o corpo exposto, os olhos que suplicavam — e transformava tudo em combustível para uma única coisa: acabar com aquilo.
O volante era um punho. O asfalto, um tambor. A cidade passava como manchas, luzes e sombras, e eu mal via. Tomava goles longos de uísque entre uma curva e outra, cheirava o pó como quem reaviva uma chama — não para o prazer: para estar afiado o suficiente. Entrar ali sem medo, sem hesitar. O telefone tocava com mensagens de homens já no caminho; mandei todos esperar. Aquilo era meu.
O galpão apareceu na penumbra alguns minutos antes do que eu esperava — uma caixa de concreto perdida entre outros esqueletos industriais, portão enferrujado, um monte de lixo incendiado a lado. Pareceu escuro demais para ser