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Capitulo 2 – O Destino B**e à Porta

Em outro ponto de Solária, o terraço do palácio de obsidiana estava banhado pelo sol nascente, mas o calor que emanava ali não vinha apenas do astro rei. Pyro estava reclinado em um divã de seda escarlate, a túnica aberta revelando o peito definido e a postura de quem nasceu para ser adorado. Ele não treinava como o ogro do Tork; ele apenas existia, e isso parecia ser o suficiente para o mundo girar.

Ao seu lado, Magna ria enquanto ele usava uma pequena chama na ponta dos dedos para criar figuras de animais de fogo que dançavam no ar para entretê-la.

— Você é o melhor, irmão! — Magna exclamou, os olhos brilhando com o reflexo das chamas.

Pyro sorriu, um sorriso de lado, charmoso e carregado de uma autoconfiança inabalável. Ele acariciou o cabelo da irmã com uma delicadeza que poucos imaginariam que ele possuía.

— Só o melhor para a minha pequena joia — ele murmurou, a voz aveludada, mas com aquele tom de comando natural.

— Vossa Alteza... — O conselheiro real, um homem magro que parecia estar sempre à beira de um colapso nervoso, aproximou-se com um rolo de pergaminho. — Desculpe interromper esse momento familiar, mas o povo clama por providências. Os recursos estão escassos. O príncipe Tork e o príncipe Alaric não podem continuar monopolizando as ervas e os minerais. Todos os reinos precisam de uma partilha justa, ou haverá revolta.

Pyro sequer desviou o olhar de Magna. Ele continuou moldando um dragão de fogo em miniatura que pousou no ombro da jovem mulher.

— Não gaste sua saliva com o óbvio, conselheiro. — Pyro respondeu com uma elegância cortante. — Eu sei exatamente o que aqueles dois estão fazendo. Por isso mesmo, tenho uma reunião marcada com eles esta manhã. Eu cuidarei para que as coisas caminhem para onde eu desejar. Agora, retire-se.

O conselheiro hesitou, limpando o suor da testa.

— Mas, Alteza... há outro assunto. O conselho insiste que o senhor escolha uma rainha. Uma consorte forte ajudaria a estabilizar as alianças e...

Antes que ele terminasse, os olhos de Magna faiscaram com uma possessividade quase infantil e feroz. Ela se jogou nos braços de Pyro, abraçando o pescoço dele e fazendo um biquinho manhoso, esfregando o rosto no ombro do irmão.

— Ele não precisa de rainha nenhuma! — Magna protestou, a voz doce e carregada de manha. — Ele tem a mim. Não quero nenhuma fêmea chata mandando aqui e tirando o tempo do meu irmão. Diga a ele, Pyro! Diga que você não precisa de mais ninguém!

Pyro soltou uma risada sonora, um som vibrante que ecoou pelo terraço. Ele abraçou a irmã mais nova, apertando-a com carinho e olhando para o conselheiro com um deboche elegante.

— Ouviu ela? — Pyro disse, os olhos brilhando como brasas vivas. — Eu não preciso de ninguém, conselheiro. Minha irmãzinha ao meu lado é tudo o que eu preciso para manter este reino aquecido. O resto é apenas resto.

— Mas a linhagem, Alteza... a estabilidade política exige... — o homem tentou retrucar, desesperado.

Pyro levantou-se em um movimento fluido, deixando a irmã com um beijo na testa e um último truque de fogo nas mãos.

— O que a política exige é que eu não me atrase para colocar cada um daqueles principezinhos de meia tigela em seus devidos lugares — Pyro cortou, já caminhando para a borda do terraço. — Fale com as paredes, conselheiro. Elas têm mais paciência que eu, para esses assuntos enfadonhos.

Sem dar chance para outra palavra, Pyro saltou da mureta. No meio da queda, seu corpo se transformou, as chamas envolveram sua pele e ele abriu suas imensas asas de dragão vermelho, ganhando altitude com um bater de asas poderoso que jogou uma lufada de ar quente sobre o conselheiro, que ficou lá, falando sozinho.

Pyro voava em direção à reunião, o vento silvando em seus ouvidos, sentindo-se invencível. Mas, no fundo de sua mente narcisista, o eco da palavra "rainha" ainda deixava uma faísca de inquietação que ele se recusava a admitir.

Mais ao sul de Solária, o jardim suspenso do Reino Verde era um labirinto de cores e fragrâncias inebriantes, mas o som mais dominante ali era a risada de Alaric. Ele estava cercado por seis fêmeas, Todas empregadas do castelo, todas suspirando a cada palavra que saía de seus lábios.

Suas tranças longas caíam sobre os ombros com uma elegância desleixada, e seus olhos verdes brilhavam com uma diversão manipuladora enquanto ele segurava a mão de uma delas, fingindo ler seu destino na palma da pela.

— Você tem o toque da brisa, minha querida... — Alaric murmurou, a voz como seda, aproximando-se o suficiente para ver as bochechas dela corarem. — Um destino tão vibrante quanto...

— ALARIC!

O trovão na voz do Rei Skydancer fez as fêmeas recuarem imediatamente, curvando-se em reverência temerosa. O rei entrou no jardim com passos que pareciam pesar toneladas, sua capa esvoaçando com uma fúria contida. Seus olhos eram espelhos endurecidos dos do filho.

— Saiam! Todas vocês! — o Rei ordenou, e as jovens empregadas desapareceram como folhas levadas por um vendaval.

Alaric não se abalou. Ele se levantou com uma lentidão graciosa, limpando uma pétala invisível de sua túnica verde-esmeralda.

— Pai, que entrada dramática. Estávamos apenas discutindo a floração das orquídeas...

— Chega de jogos, Alaric! — Skydancer o prensou com o olhar, ignorando o charme do filho. — Até quando vai continuar brincando com fêmeas como se a vida fosse um baile eterno? Escolha logo sua consorte, ou eu mesmo farei isso por você antes do próximo ciclo!

Alaric abriu um sorriso de lado, tentando desarmar a tensão, mas o Rei deu um passo à frente, a voz ficando mais baixa e perigosa.

— Não seja tolo. Você é um príncipe, mas os outros quatro também são. Se Pyro, Dior, Corvus ou o bruto do Tork encontrarem uma fêmea antes de você, eles se tornarão reis primeiro. O acasalamento é a prova definitiva de força perante o povo draconiano. Ter filhotes fortes é garantir a sobrevivência da linhagem. Você precisa me suceder e resolver os problemas de falta de recursos que afligem nossa gente, e não fará isso se engraçando com qualquer fêmea que esbarrar.

Alaric suspirou, adotando uma expressão de falsa rendição enquanto gesticulava com as mãos de forma teatral.

— Oh, meu amado pai... você realmente acha que eu passaria meus dias apenas "brincando"? — Ele se aproximou, sua voz agora carregada de uma confiança manipuladora. — Eu tenho tudo planejado. Cada sorriso que dou é uma peça no meu tabuleiro. Eu sei exatamente o que o povo precisa. E, inclusive, para garantir que os outros não saiam na frente, tenho uma reunião marcada com aqueles cinco esquisitos burros ainda esta manhã. E eu prometo que eu vou garantir que o vento sopre apenas para o nosso lado.

Skydancer estreitou os olhos, a mão pesada pousando no ombro de Alaric, apertando-o com um aviso silencioso.

— Não me decepcione, Alaric. Se eu perceber que você está apenas ganhando tempo para continuar sua vadiagem, eu assinarei o contrato de união com alguém de minha escolha, antes que o sol se ponha hoje. Entendido?

Alaric sentiu o peso da ameaça, mas sua habilidade de "escorregar" das cobranças era lendária. Ele olhou para o relógio de sol no centro do jardim e fez uma expressão de choque fingido.

— Céus! Veja a hora! Se eu não partir agora, Pyro vai incendiar Solária e Tork vai começar a comer as pedras de impaciência. — Ele começou a se afastar de costas, mantendo o sorriso galanteador no rosto. — Confie no seu filho, pai. Eu cuido dos "esquisitos". Até mais tarde!

Antes que Skydancer pudesse retrucar ou segurá-lo, Alaric girou sobre os calcanhares e desapareceu entre as colunas do palácio, seu manto verde flutuando atrás dele, antes de suas asas de dragão verde surgissem e ele saísse voando.

Por dentro, porém, o coração de Alaric batia um pouco mais rápido. A pressão pelo trono e pela consorte estava se fechando como uma armadilha sobre ele, mas ele sabia que a reunião de hoje seria o palco perfeito para suas próximas jogadas.

Entre os quatro povos draconianos, num castelo de velho e praticamente abandonado, Corvus era a única alma viva. Ele terminou sua refeição solitária no fim da mesa imensa, o som do talher contra o prato, ecoando. Não havia ninguém para cobrá-lo, nenhum pai ou conselheiro, nada. Apenas o silêncio esmagador de um reino que esperava dele uma força que ele nem sempre sentia ter.

Ele se levantou, a expressão sombria sob a luz fraca das tochas. Caminhou até a varanda e olhou para o abismo abaixo. Com um movimento brusco, suas imensas asas negras brotaram, rasgando o ar com um som pesado de couro.

Ele saltou, mergulhando no vazio antes de ganhar altitude com batidas poderosas. Enquanto voava em direção à reunião com os outros príncipes, um único pensamento, persistente e incômodo, martelava em sua mente como um tambor de guerra.

“— Uma rainha...”

A ideia o assustava mais do que qualquer batalha, mas ele sabia que não poderia fugir de seus deveres como Rei por muito mais tempo.

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