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Capitulo 4 – A curiosidade quase matou a gata

Quase em sincronia, as cinco cabeças colossais giraram. Percebendo, ao pé das raízes ancestrais da árvore, uma figura pequena e desfalecida que jazia sobre a relva.

Em um clarão de luz e fumaça elemental, os dragões voltaram às suas formas humanoides, correndo em direção ao corpo caído.

Pyro foi o primeiro a parar, os olhos brilhando com uma incredulidade flamejante.

— Isso, é uma humana? — ele exclamou, a voz carregada de choque. — O que essa coisa faz em Solária? Como ela ousou poluir o ar de Solária com essa fragilidade?

Alaric, ignorando a indignação do outro, inclinou-se ligeiramente, um sorriso de lado surgindo em seus lábios enquanto observava os cabelos ruivos espalhados como fogo na grama.

— Pelo vento... ela é linda — ele murmurou, o tom galanteador intocado pela situação, atraindo a atenção de todos a sua bela aparência. — Um presente inesperado dos deuses, talvez?

— Ela não deveria ter entrado aqui! — Tork rosnou, o som vindo do fundo do peito, os punhos cerrados e a expressão mais fechada do que nunca. — É uma invasora. E o fedor de humanos me irrita. Ela... Essa coisinha, é um problema de que não precisamos.

Corvus, permanecendo um passo atrás, manteve a face sombria. Sua voz saiu baixa e gélida, desprovida de qualquer emoção óbvia enquanto ele olhava para o peito da jovem, que mal se movia.

— Ela está viva?

Houve um segundo de hesitação entre eles, até que Dior se aproximou, empurrando Alaric, Tork e Pyro com um desdém absoluto. Sua expressão era de puro tédio, mas seus olhos azuis faiscavam com uma irritação cortante.

— Saiam da frente, seus imbecis imprestáveis — Dior disse, a voz monótona e cortante — Nem para ver se essa coisa está viva vocês prestam. São todos músculos e nenhum cérebro.

Ele se abaixou com movimentos calculados. Ignorando os olhares furiosos dos outros quatro, Dior tocou o pulso da jovem. Com um gesto elegante da mão, ele convocou uma esfera de água límpida e brilhante que flutuou sobre as feridas da linda mulher. O poder curativo da água começou a fechar os cortes mais superficiais e a estabilizar a respiração dela.

Dior examinou o rosto de Orin por um segundo a mais do que o necessário, a máscara de desinteresse vacilando por um milésimo de segundo antes de ele se levantar abruptamente, limpando as mãos como se tivesse tocado em algo poeirento.

— Ela vai viver. Infelizmente, para o desgosto de vocês. — ele declarou, voltando à sua postura monótona.

— E agora? — Tork bufou, apontando para a humana. — Vamos deixá-la aqui à mercê da sorte? Ela violou as fronteiras!

— Não seja um bárbaro, Tork — Alaric rebateu, cruzando os braços com um brilho manipulador nos olhos. — Ela é uma raridade. Imagine o que podemos descobrir. Por exemplo, sobre como ela cruzou o véu.

— Ela é um risco de segurança! — Pyro interveio, a voz subindo de tom enquanto uma pequena chama dançava em seu ombro. — Eu não permitirei que uma fêmea humana circule livremente por aqui.

A discussão recomeçou, mais alta e caótica do que antes, enquanto os cinco príncipes rodeavam a pequena e inconsciente Orin. Cada um reivindicando uma razão diferente para odiar, temer ou desejar a presença daquela mulher que, sem saber, acabara de se tornar o centro dos problemas de todos eles.

O despertar de Orin, infelizmente, para ela, foi um processo lento e agonizante. Antes mesmo de ter força para abrir as pálpebras, o mundo se manifestou através da dor.

Orin tentou mover um braço, mas cada centímetro de sua pele parecia ter sido pisoteado por uma manada.

Era uma dor profunda e visceral, que irradiava de sua coluna para as extremidades, como se seus ossos tivessem sido estilhaçados e, de alguma forma mística, colados novamente no lugar.

Um gemido involuntário escapou de seus lábios, agora secos e com gosto de ferro por causa do sangue e ela se encolheu, o movimento fazendo o mundo girar e a náusea subir por sua garganta.

Cada músculo pulsava em uma batida rítmica de sofrimento, e a sensação de estar toda quebrada, mesmo que seus membros ainda respondessem, era quase paralisante.

Ali, encolhida contra as raízes úmidas e sentindo o frio da terra, Orin percebeu que a curiosidade quase a tinha matado.

Mas ela não estava sozinha. O ar ao seu redor ainda vibrava com o calor residual da batalha que presenciara, e o cheiro de queimado e a pressão de um poder colossal, era tão forte que ela conseguia senti-lo agonizantemente.

— Ela poderia ter morrido, seu estúpido!

A voz cortou o ar como um chicote. Era grave, carregada de uma fúria vibrante que fez os ouvidos de Orin zumbirem.

O som a forçou a lutar contra a escuridão e abrir as pálpebras, mas o mundo ainda era um borrão de cores desconexas e luzes turvas. A dor lancinante em sua nuca a obrigou a fechar os olhos novamente, soltando uma lufada de ar trêmula.

Com um esforço hercúleo, ela levou as mãos ao rosto. Seus dedos tatearam a têmpora, massageando a pele com uma cautela desesperada, tentando afastar a névoa que nublava seus sentidos.

Ela tinha consciência da terra em suas mãos e do cheiro de chuva e fogo que impregnava o lugar, mas sua prioridade era entender quem eram os donos daquelas vozes masculinas que agora discutiam ao seu redor, as palavras se atropelando em um coro de autoridade e raiva.

“-Foco, Orin. Foco.”

Ela piscou uma, duas vezes, forçando a visão a se estabilizar enquanto o corpo protestava a cada centímetro.

Quando a imagem finalmente entrou em foco, o fôlego que ela tanto lutava para recuperar sumiu de vez.

Orin não encontrou as enormes feras de escamas e garras. Pois no lugar dos magníficos dragões, cinco homens estavam parados ali.

E eles eram... irreais.

A camponesa sentiu o coração falhar uma batida, não mais pelo medo, mas pelo choque de se deparar com tamanha perfeição.

Cada um deles possuía uma beleza tão magnética e avassaladora que parecia ferir os olhos.

Eram altos, de ombros largos e feições esculpidas com uma precisão que nenhum humano jamais alcançaria.

A aura que emanava deles ainda era a mesma de minutos antes, orgulhosa, letal e divina, mas agora, em formas humanoides, aquela energia se transformava em uma tensão sexual e de poder que tornava o ar difícil de respirar.

Ela estava caída ao pé de uma árvore, ferida e suja, enquanto os cinco homens mais lindos que já existiram em toda a história do mundo a cercavam como juízes... ou predadores.

Orin estava paralisada. E o fôlego, que já era escasso devido à dor nas costelas, pareceu sumir de vez.

Ela os encarava boquiaberta, sem qualquer reação que não fosse o puro deslumbramento. Eles não eram apenas homens; eram a perfeição em forma humana, envoltos em uma aura de poder que fazia o ar ao redor vibrar.

— Ninguém mandou essa humana invadir nosso território!

A voz soou como um trovão baixo, fazendo Orin sobressaltar-se.

Ela focou no dono da fala, um homem de pele morena, profunda como a terra fértil, com cabelos escuros presos em tranças impecáveis que emolduravam um rosto de ângulos agressivos.

Seus olhos, de um tom verde-água hipnotizante, brilhavam com uma irritação latente. E o desprezo na voz dele era óbvio, mas Orin mal conseguia processar o insulto, pois sua atenção foi capturada por algo muito mais bizarro e fascinante.

“-O que é isso na cabeça deles?”

Ela estreitou os olhos, lutando contra a visão turva.

Conseguindo ver com dificuldade, acima das testas orgulhosas e emergindo entre os fios de cabelo, chifres magníficos e retorcidos que coroavam cada um daqueles homens.

Não eram adornos; eram parte deles, exalando o mesmo brilho e textura das escamas que ela vira momentos antes.

“-São chifres? São... chifres de verdade?”

O pânico começou a se misturar ao choque. Ela reconheceu o padrão. O formato, a curvatura, a energia... eram os mesmos dos cinco dragões que, instantes atrás, quase reduziram a floresta a cinzas.

“-Ai meu Deus! Eles são aqueles cinco? Não é possível... é?”

A mente de Orin trabalhava em uma velocidade frenética, tentando conciliar a imagem das feras gigantescas com os homens esculturais à sua frente.

— Ela de fato não deveria estar aqui, mas está — comentou um segundo homem, sua voz soando como o gelo trincando.

Orin desviou o olhar para ele e sentiu um novo calafrio. Ele tinha cabelos acinzentados, cortados por mechas de um azul profundo que pareciam brilhar com luz própria.

O detalhe mais marcante, porém, era a cicatriz que cruzava um de seus olhos esverdeados, uma marca de guerra que só acentuava sua beleza fria e letal. Ele não parecia arrependido, apenas analítico.

— Acertar ela foi inevitável, já que o estúpido ali se moveu! — vociferou o jovem de pele morena, cujas longas tranças negras chicotearam as costas enquanto ele apontava com fúria para o homem da cicatriz.

Seus olhos, que Orin agora via serem de um dourado líquido e predatório, ardiam em brasas.

O homem da cicatriz soltou um riso curto e carregado de deboche, sem se intimidar pela fúria do outro.

— Esquivo como uma serpente — ironizou o moreno.

— Ruim de mira — rebateu o de cabelos azulados, inclinando a cabeça com um sorriso de canto que era puramente provocativo.

A tensão entre os dois escalou em um segundo. Esquecendo completamente da presença da jovem humana caída aos seus pés, ambos ergueram as mãos. E o ar ao redor começou a estalar.

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