Seis meses. Cento e oitenta dias. Quatro mil, trezentas e vinte horas.
Ana Clara não contava o tempo pelo calendário, mas pelo ritmo frenético dos corredores do Hospital das Clínicas. O café frio era seu melhor amigo; os livros de cardiologia, seus únicos amantes. Ela havia se tornado um fantasma de dedicação, uma interna que não pedia folgas e que encarava plantões de trinta e seis horas como se fossem uma punição necessária por ter ousado sentir algo um dia.
— Ana, você precisa ir para