Na sala da presidência, o ar era denso o suficiente para ser cortado com uma lâmina. O Sr. Sousa permanecia de pé, a face ruborizada pela fúria, enquanto Giorgio mantinha uma calma que beirava o sobrenatural. Ele sabia que um passo em falso ali não custaria apenas o seu cargo, mas o futuro da Galeria de Ísis.
— Sr. Sousa, por favor, sente-se — Giorgio começou, a voz modulada em um tom de respeito profundo que ele usava apenas em negociações extremas. — Entendo perfeitamente o seu desapontamento. Como pai, o senhor está agindo com a honra que sempre admirei na sua famĂlia.
O velho bufou, mas o tom de Giorgio pareceu desarmar a primeira camada de sua agressividade.
— Eu já havia conversado com Soraya sobre o nosso rompimento — continuou Giorgio, mentindo com uma precisão cirúrgica sobre os detalhes temporais. — Mas admito que a forma como tudo transpareceu foi... desastrosa. Eu nunca tive a intenção de expor sua filha. Por isso, peço que me dê alguns dias. Não para mudar o que sinto, ma