Acordei antes do amanhecer.
Não foi exatamente sono — foi fuga.
O quarto de hóspedes era bonito demais para a forma como eu me sentia por dentro. A cabeça latejava, o peito ainda preso na humilhação da noite anterior, e cada vez que eu tentava fechar os olhos, a voz de Rafael ecoava, dura, injusta, desconfiada.
Levantei-me devagar, coloquei as poucas roupas que tinha trazido na bolsa improvisada por ele e saí do quarto tentando fazer o menor ruído possível. Sofia dormia tranquila quando pass