Enfim, segunda-feira. Cheguei cedo — mais cedo do que meu horário habitual. Eduardo me recebeu com um aceno breve e logo subiu para trabalhar.
Rafael… pelo visto não estava em casa. Melhor assim. Acho.
Sofia estava bem. Brincamos a manhã inteira, e por algumas horas consegui esquecer tudo.
Perto do horário do almoço, a campainha tocou. Como não havia ninguém por perto, tomei a liberdade de abrir a porta.
Uma mulher alta, magra, com cabelos loiros caindo sobre os ombros. Usava uma roupa nitidamente cara e um perfume doce demais. O tipo de doce que não acolhe — enjoa.
Ela me olhou de cima a baixo. Não era curiosidade. Era avaliação.
— Bom dia. — Murmurei.
Ela entrou como uma ventania impaciente.
— Bom dia. — respondeu seca.
Fechei a porta enquanto ela percorria a sala com os olhos, como quem mede valor, não ambiente.
— Onde está o Rafael? — perguntou, sem sequer me encarar.
— Trabalhando, presumo. — Respondi.
Ela finalmente virou o rosto para mim, levando uma das hastes dos