Os dias começaram a se repetir como se fossem um único, interminável. Eu acordava cedo, alimentava o pouco de esperança que me restava e saía para mais uma rodada de currículos, entrevistas e olhares que me atravessavam como se eu não fosse suficiente para nenhuma vaga.
Talvez eu não fosse.
Na terceira semana, eu já estava treinando mentalmente respostas automáticas para perguntas idiotas — como “você acha que dá conta da pressão?”, quando pressão era justamente o que eu vinha carregando desde o dia em que o mundo desabou sobre mim.
Por mais profissional que eu tentasse parecer, era impossível esconder: eu estava cansada. Exausta, na verdade.
Cansada de sorrir para recrutadores que nem fingiam prestar atenção.
Cansada de me esforçar para parecer simpática quando, por dentro, eu só queria chorar.
Cansada de fingir que não doía ver que ninguém me ligava de volta.
Eu sabia que o mercado estava difícil…, mas não imaginava que estava tão difícil assim.
E, para piorar, cada vez que