A porta ainda estava vibrando quando ela desapareceu pelo corredor.
Fiquei parado, imóvel, como se qualquer movimento pudesse desfazer a última imagem que tive dela: os olhos baixos, o envelope apertado contra o peito, a respiração curta — quase como alguém que está fugindo de uma dor que não quer assumir que sente.
A carta agora estava na minha mão.
Isadora não disse uma palavra.
Nada.
Nenhuma justificativa, nenhum pedido de desculpa, nenhuma reclamação.
Só entregou.
E o silêncio dela