A porta ainda estava vibrando quando ela desapareceu pelo corredor.
Fiquei parado, imóvel, como se qualquer movimento pudesse desfazer a última imagem que tive dela: os olhos baixos, o envelope apertado contra o peito, a respiração curta — quase como alguém que está fugindo de uma dor que não quer assumir que sente.
A carta agora estava na minha mão.
Isadora não disse uma palavra.
Nada.
Nenhuma justificativa, nenhum pedido de desculpa, nenhuma reclamação.
Só entregou.
E o silêncio dela… foi pior do que qualquer discurso.
Passei o polegar pelo selo do envelope, tentando entender em que momento aquilo tinha se tornado tão… pessoal. Porque a saída dela me incomodava tanto. Porque eu não conseguia simplesmente aceitar e seguir.
Respirei fundo, mas o ar parecia preso no peito.
Abri o envelope com cuidado desnecessário — como se o papel pudesse perceber minha hesitação — e deslizei a carta.
A letra dela era firme.
Bonita.
Sem enfeites desnecessários.
Li uma vez.
Depois o