CAPÍTULO 11 — RAFAEL

A porta ainda estava vibrando quando ela desapareceu pelo corredor.

Fiquei parado, imóvel, como se qualquer movimento pudesse desfazer a última imagem que tive dela: os olhos baixos, o envelope apertado contra o peito, a respiração curta — quase como alguém que está fugindo de uma dor que não quer assumir que sente.

A carta agora estava na minha mão.

Isadora não disse uma palavra.

Nada.

Nenhuma justificativa, nenhum pedido de desculpa, nenhuma reclamação.

Só entregou.

E o silêncio dela… foi pior do que qualquer discurso.

Passei o polegar pelo selo do envelope, tentando entender em que momento aquilo tinha se tornado tão… pessoal. Porque a saída dela me incomodava tanto. Porque eu não conseguia simplesmente aceitar e seguir.

Respirei fundo, mas o ar parecia preso no peito.

Abri o envelope com cuidado desnecessário — como se o papel pudesse perceber minha hesitação — e deslizei a carta.

A letra dela era firme.

Bonita.

Sem enfeites desnecessários.

Li uma vez.

Depois o
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