Cheguei ao apartamento exausta, só querendo tirar os sapatos e esquecer que o mundo existia por alguns minutos. Mas, assim que virei a chave, notei um envelope jogado por baixo da porta. Agachei devagar, o coração já se preparando para o pior.
— Que ótimo… — murmurei.
A primeira linha me atingiu no estômago.
“Ordem de despejo.”
— Não podia esperar mais um pouquinho? — reclamei para o nada, como se o universo estivesse realmente ouvindo.
As coisas estavam desmoronando rápido demais. Eu tinha só alguns dias para me mudar. E o pior? Qualquer lugar decente pedia três meses de caução. Três meses. Eu mal conseguia pagar um mês, quanto mais três. Fazia tempo que eu não conseguia guardar nada. Minha vida financeira estava um caos ambulante.
E eu não podia pedir ajuda. Não mais.
Meus pais achavam que eu tinha finalmente me estabilizado. E eu deixei que acreditassem. Contei uma bela mentira — daquelas que dá até para vender como verdade. Eles não têm mais idade para se preocupar comigo