Rafael
O domingo perfeito havia sido uma alucinação.
Enquanto eu observava Isadora escovar os cabelos diante do espelho da suíte, a imagem dela sob o carvalho, rindo com Sofia, parecia pertencer a uma vida que não era a minha. O sol havia se posto e, com ele, a trégua. O ar no quarto estava carregado, denso como o prenúncio de uma tempestade elétrica. O beijo da tarde — aquele que Sofia exigira e que eu entregara com uma fome que mal consegui disfarçar — ainda queimava nos meus lábios e repercutia em cada nervo do meu corpo.
Eu não era um homem de meias medidas. Se eu queria uma empresa, eu a comprava. Se eu queria um código, eu o decifrava. E agora, eu queria a mulher que estava a dois metros de mim, fingindo que eu não existia enquanto se escondia atrás de uma armadura de seda e indiferença.
— Até quando, Isadora? — perguntei, minha voz saindo mais grave do que eu pretendia, cortando o silêncio do quarto como um golpe.
Ela não parou o movimento da escova. — Até quando o quê, Ra