Rafael
O álcool era a única coisa capaz de silenciar o barulho ensurdecedor daquela imagem: Isadora, a mulher que eu permiti entrar na minha fortaleza, nos braços de outro homem. Cada gole de uísque puro que eu virava, sentado no balcão de um bar clandestino e escuro, longe do brilho hipócrita da festa, queimava como o fogo daquela maldita cena.
Eu me sentia um estúpido. Um amador. O CEO que previa crises globais não conseguiu prever que a "babá sensível" era apenas mais uma oportunista jogando o jogo da sedução.
— Sabia que te encontraria em um lugar assim — a voz de Lívia surgiu como um sussurro de serpente.
Ela se sentou ao meu lado, colocando o celular sobre o balcão. A tela brilhava com o vídeo da sala VIP.
— Se eu apertar um botão, Rafael, a imagem do "homem de família" da Vaz Tech cai por terra. A traição da sua esposa perfeita será o assunto de amanhã. Eu posso destruir o que restou da sua dignidade e fica com Sofia pra sempre.
— Vá para o inferno, Lívia — rosnei, virand