61 - A Armadilha de Vidro

Isadora

O sabor do beijo de Rafael ainda queimava em meus lábios, um misto de triunfo e confusão emocional, quando o mar de convidados se abriu para dar passagem ao veneno. Lívia caminhava como se fosse a dona do evento, mas não estava sozinha. Ela exibia, como um troféu, o braço de Antônio Vilela — o maior rival de Rafael, um homem cuja ética era tão questionável quanto sua sede de poder.

— Magnífica encenação, Rafael — Lívia sibilou, parando diante de nós. Seus olhos brilhavam com um ódio que nem a maquiagem mais cara conseguia esconder. — E você, Isadora... que talento desperdiçado em uma sala de aula. Devia estar na Broadway. Esse beijo quase convenceu os investidores, mas nós sabemos que não passa de fumaça e espelhos.

Rafael apertou minha cintura, a voz saindo como um rosnado controlado:

— O que você está fazendo aqui, Lívia? E com o Vilela? Achei que tivesse um pingo de dignidade para não se aliar ao lixo do setor.

— Eu estou com quem valoriza a verdade — ela rebateu, olha
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