Rafael
Eu poderia ter escolhido Paris ou Maldivas, mas queria algo que a tirasse completamente do eixo. Bora Bora foi a resposta. O jatinho pousou na pista estreita cercada por água cristalina, e de lá, um barco privativo nos levou até o resort.
Observei Isadora durante todo o trajeto. Ela estava colada à lateral do barco, os olhos castanhos arregalados, refletindo o azul turquesa impossível da Polinésia Francesa. O vento bagunçava seu cabelo, e havia uma expressão de puro encantamento em seu rosto que me fez esquecer, por alguns segundos, o preço que paguei por aquele silêncio.
— Isso é real? — ela perguntou, quase em um sussurro, sem tirar os olhos do Monte Otemanu que se erguia à nossa frente.
— Para nós, Isadora, tudo o que o dinheiro pode comprar é real — respondi, mantendo o tom seco, embora por dentro eu estivesse apreciando a cena mais do que deveria.
Chegamos ao nosso bangalô sobre as águas. Era uma estrutura imensa de madeira nobre e vidro, com uma piscina privativa que