Isadora
O almoço de "pós-casamento" era uma prova de fogo. A mesa da sala de jantar principal estava posta para vinte pessoas. O cristal e a prata brilhavam sob o lustre, mas nada brilhava tanto quanto o olhar de julgamento e expectativa da família Vaz.
De um lado, meus pais, Mário e Marisa, pareciam ainda flutuar em um sonho, visivelmente intimidados pela presença dos avós de Rafael — dois baluartes da velha guarda que tratavam a herança como religião. Eduardo estava ao lado de Kiara, a prima "doida" de Rafael, que já havia tomado três taças de mimosa antes do meio-dia. E, claro, havia Vitor, meu melhor amigo.
Vitor, era meu porto seguro, quase não nos víamos mais depois que me mudei para São Paulo. Não tínhamos conseguido conversar quase nada na cerimônia por causa do meu desmaio e de todas as pessoas querendo me conhecer e Rafael me apresentando para meio mundo. Ele me olhava do outro lado da mesa com uma expressão que dizia: "Amiga, a gente precisa de três dias de conversa para