Isadora
A mansão, com seus corredores infinitos e teto alto, parecia um organismo vivo que me observava em silêncio. Eu caminhava por ela como uma intrusa em minha própria biografia. Entrei em uma sala de estar menor, mais íntima, onde o sol da tarde entrava com uma intensidade quase agressiva. Sobre um aparador de madeira escura, repousava uma fileira de porta-retratos de prata.
Aproximei-me, o coração martelando contra as costelas. No centro, havia uma foto do nosso casamento.
Rafael estava impecável, o maxilar rígido, mas com um brilho de posse no olhar. Eu estava vestida de branco, uma noiva deslumbrante, mas meus olhos... meus olhos não sorriam. Havia uma tensão nos meus lábios, uma melancolia sutil que as lentes capturaram sem querer. Peguei o porta-retrato, sentindo o peso do metal frio. Por que eu parecia tão infeliz no dia que deveria ser o mais importante da minha vida?
Forcei a mente. Tentei empurrar a névoa que bloqueava minhas lembranças. Subitamente, uma pontada agud