Rafael
Eu não podia sair daquela casa. Não hoje. O mundo lá fora, com suas estradas, escritórios e delegacias, parecia um ruído distante e irrelevante comparado ao silêncio tenso que agora impregnava as paredes da mansão. Eu sentia como se estivesse operando com o sistema sob uma pressão impossível, prestes a derreter o hardware. Cada vez que eu fechava os olhos, a imagem de Sofia chorando e revelando a verdade martelava minha consciência.
Eu estava à beira de um colapso. Minhas mãos, geralmente firmes para digitar algoritmos complexos ou assinar contratos milionários, tremiam de uma forma que eu não conseguia controlar. A raiva era uma presença física, uma massa quente e ácida que subia pela minha garganta. Eu andava pelo escritório como uma fera enjaulada, chutando o canto do sofá, sentindo o suor frio escorrer pelas minhas têmporas. Como eu pude ser tão cego? A lógica, minha bússola de vida, havia falhado miseravelmente ao não considerar que o mal não tinha limites.
As horas se