O quarto do hotel estava silencioso demais para aquela hora. A luz do fim de tarde entrava pelas cortinas mal fechadas, desenhando faixas claras sobre o chão. O vestido pendurado na porta parecia deslocado ali, sofisticado demais para um espaço que ainda cheirava a passagem, a algo que não se fixa. Eu observei o reflexo no espelho por alguns segundos sem realmente me ver.
A mulher ali parecia segura. Treinada. Pronta para ocupar um espaço que, meses antes, jamais teria imaginado atravessar. Mas