A noite na mansão Ravenclaff começou sob uma tensão invisível. Alexander tinha uma reunião crucial com investidores estrangeiros, um contrato que consolidaria sua liderança no mercado nacional. Isadora, sentindo que estava perdendo terreno para a "doçura" de Sophia, decidiu que aquela era a noite para dar o golpe final.
Enquanto Alexander estava no escritório da empresa, Isadora invadiu a mansão. Ela esperou Sophia subir para preparar o banho de Gael e ligou para Alexander, a voz carregada de um pânico falso.
— Alexander! Você precisa vir agora! Gael está trancado no quarto gritando e a Sophia simplesmente desapareceu, ninguém a encontra! Eu tentei abrir a porta, mas ela deve ter levado a chave... é um caos!
Alexander, no meio de uma explanação técnica, sentiu o sangue ferver. Ele pediu desculpas formais aos investidores — algo que ele odiava fazer — e dirigiu como um louco de volta para casa. Sua mente desenhava os piores cenários.
Ao cruzar a porta da mansão, ele estava furioso. Ele subiu as escadas aos saltos, mas, ao chegar no corredor do quarto de Gael, parou bruscamente.
O silêncio era absoluto. Pela fresta da porta, ele viu Sophia sentada na poltrona, lendo calmamente para Gael, que ria de uma ilustração. Isadora estava parada no corredor, com o celular na mão, sobressaltada com a chegada repentina dele.
Alexander virou-se para Isadora, os olhos faiscando como brasas.
— Onde está o caos, Isadora? — a voz dele era um sussurro perigoso.
— Eu... eu achei que... talvez ela tivesse... — Isadora gaguejou, a cor fugindo de seu rosto.
— Saia da minha casa — Alexander ordenou, dando um passo em direção a ela. — Eu deixei claro que não aceito visitas sem aviso. Você mentiu sobre a segurança do meu filho para me tirar de uma reunião de bilhões. Se você colocar os pés aqui novamente sem meu consentimento, farei com que sua família perca cada contrato que tem com as minhas empresas. Fora!
Isadora saiu em prantos, o ódio por Sophia agora se tornando uma obsessão doentia. Alexander ficou ali por um tempo, tentando controlar a respiração, observando a paz que Sophia trazia ao seu filho, antes de se retirar para o próprio quarto.
A Madrugada
Horas depois, por volta das duas da manhã, a mansão estava mergulhada na escuridão. Sophia, após terminar suas tarefas, havia tomado um banho quente e vestido uma camisola de seda champagne, com alças finas e um corte que abraçava suas curvas de forma delicada. Era sua única peça de luxo, um presente de si mesma de tempos melhores.
Sentindo a garganta seca, ela pegou o livro que estava lendo e desceu silenciosamente até a cozinha. Ela não acendeu as luzes principais, apenas a luz embutida da geladeira enquanto servia um copo de água gelada.
De costas para a porta, ela bebeu a água, sentindo o frescor aliviar a tensão do dia. Ela não ouviu os passos descalços de Alexander.
Alexander tinha descido para pegar um whisky, mas parou na soleira da porta. A visão diante dele o atingiu como um soco no estômago. Sophia não era mais a babá de uniforme austero. Ela era uma visão de feminilidade e suavidade. A luz da geladeira desenhava a silhueta dela através do tecido fino da camisola. Ele a olhou dos pés à cabeça, o desejo despertando com uma força que ele não sentia há anos.
Sophia colocou o copo na bancada e se virou rapidamente para subir.
— Ah! — ela soltou um suspiro de susto ao ver a figura alta e imponente de Alexander parada ali.
Seu pé, ainda úmido de uma gota d'água que caíra no chão, escorregou no piso de mármore polido. Ela pendeu para a frente, mas Alexander foi mais rápido. Ele deu um passo à frente e a segurou firmemente pela cintura e pelos ombros.
O impacto trouxe o corpo dela contra o dele. O rosto de Sophia ficou a milímetros do de Alexander. A respiração dela, com cheiro de menta, batia no rosto dele. O coração de Alexander disparou, martelando contra o peito de tal forma que ele teve certeza de que ela podia sentir. Ele nunca a vira assim: os cabelos soltos, os ombros nus, os lábios entreabertos pelo susto.
A tensão entre eles era tão densa que quase podia ser tocada. A boca de Alexander inclinou-se minimamente na direção da dela, o instinto de posse lutando contra sua razão.
— Desculpe... Sr. Ravenclaff... — Sophia sussurrou, a voz trêmula, tentando recuperar o equilíbrio enquanto sentia o calor das mãos dele queimando sua pele. — Eu achei que... todos dormiam. Esqueci a água... eu sinto muito.
Alexander a soltou lentamente, mas seus olhos ainda devoravam o rosto dela. Ele limpou a garganta, recuperando a máscara de gelo, embora o brilho em seus olhos o traísse.
— Está tudo bem, senhorita Cruz — ele disse, a voz rouca. — Apenas... tome cuidado com o chão. Está tarde.
Sophia assentiu rapidamente, pegou seu livro na bancada com as mãos trêmulas e passou por ele como um rastro de perfume e seda. Alexander ficou na cozinha escura, ouvindo o som dos passos dela subindo as escadas, sabendo que, depois daquela noite, o período de teste de trinta dias seria a coisa mais difícil que ele já teve que enfrentar.