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Capítulo 4 : O gosto amargo da injustiça

​O plano de Isadora foi executado com uma precisão cruel. Enquanto Sophia estava na cozinha preparando o lanche de Gael, a vilã aproveitou um momento de distração da governanta e atraiu o menino para perto de uma xícara de chá escaldante que ela mesma havia deixado estrategicamente na borda da mesa lateral.

​Um movimento em falso, um esbarrão calculado de Isadora, e o grito de Gael ecoou pela mansão.

​— Gael! — Sophia correu para a sala, o coração na boca.

​O menino chorava, segurando a mãozinha que estava vermelha por causa do líquido quente. Isadora, com uma atuação digna de um prêmio, levou as mãos ao rosto.

​— Meu Deus, Sophia! Como você pôde deixar isso acontecer? Eu saí por um segundo e você simplesmente sumiu! — Isadora gritou, enquanto Sophia já estava ajoelhada, examinando a queimadura.

​— Eu estava na cozinha, a senhora disse que ficaria com ele! — Sophia rebateu, mas não havia tempo para discussões. — Preciso levá-lo ao hospital agora. Pode ser leve, mas ele está com dor.

​Enquanto Sophia corria para o carro com Gael, Isadora pegou o celular. O sorriso em seu rosto era frio. Ela discou o número de Alexander.

​— Alexander? Querido, é terrível! Gael se machucou. Sophia foi extremamente negligente, ela o deixou sozinho com chá quente... Estamos indo para o hospital. Por favor, venha rápido, o pobre menino não para de chorar!

​O Hospital

​Quando Alexander atravessou as portas da emergência, ele parecia uma tempestade em forma de homem. Isadora estava sentada confortavelmente na recepção e, ao vê-lo, levantou-se fingindo preocupação. Sophia saiu da sala de exames com Gael no colo, a mão do menino devidamente enfaixada.

​— Alexander, eu... — Sophia começou, mas foi cortada pelo olhar gélido do bilionário.

​— Silêncio, senhorita Cruz — ele disse, a voz num tom perigosamente baixo. Ele pegou Gael do colo dela, verificando o curativo. — Como você permitiu que isso acontecesse? Eu fui claro sobre a segurança dele.

​— Foi um acidente, senhor, eu...

​— Um acidente causado por descuido — Alexander sentenciou, voltando-se para Isadora. — Obrigado por me avisar, Isadora. Vamos voltar. Senhorita Cruz, não diga uma palavra. Falaremos na mansão.

​A Biblioteca

​De volta à mansão, o clima era de funeral. Alexander entregou Gael à governanta e apontou para a biblioteca. Isadora tentou entrar, mas ele fechou a porta, deixando-a de fora, embora ela tenha ficado colada à madeira para ouvir.

​— Eu avisei, Sophia — Alexander começou, andando de um lado para o outro. Ele não a chamou pelo sobrenome, o que demonstrava o quanto estava afetado. — Eu disse que qualquer deslize, qualquer sinal de negligência, e você estaria fora. Meu filho é o meu bem mais precioso, e você falhou no básico.

​— Sr. Ravenclaff, Isadora disse que cuidaria dele enquanto eu pegava o lanche. Eu não o deixei sozinho de propósito! — Sophia tentou se defender, as lágrimas de frustração brilhando nos olhos.

​— Isadora é uma convidada, não a babá! A responsabilidade é sua, e apenas sua — ele rebateu, parando na frente dela. — Eu não posso confiar em você. Pegue suas coisas. Você está demitida.

​O mundo de Sophia desabou. A imagem do despejo e da fome voltou com força total. Mas antes que ela pudesse implorar, a porta da biblioteca se abriu com força.

​Gael escapou dos braços da governanta e correu para dentro. Ele não foi para o pai. Ele se jogou contra as pernas de Sophia, agarrando sua saia com a mão boa e chorando alto.

​— Não! Phia não! — o menino gritava, as lágrimas escorrendo pelo rosto pequeno. — Phia fica! Papai, não!

​Alexander ficou estático. Isadora, que entrou logo atrás fingindo ajudar, tentou puxar o menino.

— Venha, Gael, a Isadora cuida de você. Essa moça foi má, ela deixou você se machucar...

​— Não! — Gael empurrou a mão de Isadora e abraçou Sophia ainda mais forte. — Eu quero a Phia!

​Alexander olhou para a cena: o filho, que quase nunca demonstrava sentimentos, soluçando desesperadamente nos braços da mulher que ele acabara de expulsar. A fúria dele lutava contra a necessidade de ver o filho bem.

​— Chega! — Alexander ordenou. Ele olhou para Sophia, que abraçava Gael com uma ternura que ele não podia ignorar. — Gael, solte ela.

​— Não! — o menino soluçou.

​Alexander soltou um suspiro pesado, a mandíbula tensa. Ele olhou para Sophia com um desprezo que escondia algo mais profundo.

— Por causa do meu filho, e apenas por causa dele, você fica. Mas considere-se avisada, senhorita Cruz: se um fio de cabelo dele for tocado novamente, eu farei questão de que você nunca mais encontre emprego neste país. Saia da minha frente. Agora.

​Sophia saiu carregando Gael, o coração pesado pela injustiça, mas aliviada por ainda ter um teto. Isadora ficou para trás, os olhos brilhando de ódio. O plano não tinha funcionado totalmente, mas ela havia conseguido o que queria: Alexander agora via Sophia como uma ameaça à segurança de seu filho

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