A Dani me escuta sentada no chão da sala, encostada no sofá, com uma caneca na mão. Nem interrompe. Isso já é estranho.
— Amiga… — ela começa, devagar. — Você tá com cara de quem entrou numa confusão grande.
Solto o ar pela boca e balanço a cabeça.
— Ele surtou.
— Tipo… surtou quanto?
— Ciúme. Louco. Sem filtro. Do nada.
Ela arregala os olhos.
— Do nada nada nunca é, Isa.
— Eu sei. Mas foi rápido demais. Um minuto ele tava frio, distante. No outro, parecia que qualquer coisa virava ameaça.
Passo a mão no cabelo, nervosa.
— Ele me olhava como se eu fosse fugir a qualquer segundo.
— E aí?
Dou uma risada curta, sem graça.
— E aí a gente transou.
A Dani fica em silêncio por dois segundos. Depois:
— Tá. Isso explica muita coisa e não explica nada.
— Pois é.
Apoio os cotovelos no joelho.
— Foi intenso. Não foi romântico. Foi… carregado. Como se ele precisasse provar alguma coisa.
— Provar o quê?
Engulo em seco.
— Que eu era dele.
Ela fecha a cara na hora.
— Ele falou isso?
— Falou. E contin