A madrugada parecia não ter terminado quando Elena abriu os olhos. A mente ainda estava carregada com os acontecimentos do dia anterior — as acusações veladas, o medo crescente, os olhares atravessados pelos corredores. Ela se levantou devagar, ainda com a sensação incômoda de que alguém a observava, mesmo estando sozinha dentro do quarto.
O relógio marcava cinco e quarenta da manhã.
Muito cedo.
Mas dormir, naquela casa, já havia se tornado um luxo.
Ela tomou banho rápido, vestiu o uniforme e, antes de sair, olhou para a gaveta onde mantinha guardado o bilhete de Anthony. Não abriu. Não precisava. As palavras estavam gravadas dentro dela como um aviso que ninguém mais parecia ouvir.
Ao descer, o corredor estava silencioso demais. A mansão sempre acordava cedo, geralmente com o barulho da equipe começando as atividades. Mas naquele dia, tudo parecia contido, como se todos também estivessem esperando algo acontecer.
Quando chegou à cozinha, encontrou apenas uma funcionária — Marina — aj