A ligação chegou no meio da manhã, em um horário que não costumava carregar urgência. A casa estava em movimento contido, Lorenzo brincava na sala com um conjunto de blocos coloridos, e eu observava sentada no tapete, ajudando apenas quando ele pedia. O celular de Dante tocou no escritório, e não teria chamado minha atenção se não fosse pela mudança imediata na postura dele ao atender.
Não era tensão comum.
Era cuidado.
Ele fechou a porta, mas a voz atravessou o espaço com clareza suficiente para que eu percebesse o tom mais baixo, mais atento, quase defensivo. Dante ouvia mais do que falava, fazia perguntas curtas, caminhava de um lado a outro do escritório como quem tenta organizar pensamentos antes mesmo de saber onde eles vão chegar.
Quando desligou, o silêncio que se seguiu foi longo demais para ser irrelevante.
Alguns minutos depois, ele apareceu na sala. O olhar estava sério, mas não alarmado. Era o tipo de expressão que surge quando algo exige responsabilidade, não pânico.
— L