Depois da escolha, nada mais era acidental. Esse foi o pensamento que me acompanhou durante todo o dia seguinte, uma constatação silenciosa que se infiltrava em cada gesto, em cada pausa prolongada, em cada olhar que demorava além do necessário. A consciência do que existia entre nós não trouxe alívio; trouxe precisão. E a precisão tornava tudo mais perigoso.
A casa seguia seu ritmo habitual, mas eu sentia como se estivesse atravessando um espaço que exigia atenção constante. Lorenzo estava animado naquela manhã, cheio de planos para a tarde, e isso ajudava a manter a normalidade visível. No entanto, por baixo da rotina, havia algo vibrando, um fio esticado demais, pronto para romper ao menor descuido.
Dante manteve-se presente desde cedo. Não distante, não excessivamente próximo. Apenas ali, atento, como alguém que sabe exatamente onde pisa. Ele falava comigo com naturalidade, mas o olhar sempre retornava, insistente, carregado de algo que já não precisava ser disfarçado. Não havia m