A manhã da reunião amanheceu com um tipo de silêncio que não existia nos dias comuns. Não era falta de barulho; era um silêncio interno, uma quietude tensa que se instalava antes mesmo de qualquer palavra. Eu me arrumei mais devagar do que de costume, escolhendo a roupa com um cuidado que não era vaidade, mas necessidade de equilíbrio. Não era um encontro social, nem um evento formal de empresa. Era algo mais delicado: um espaço em que pessoas de fora olhariam para a vida de Lorenzo e tentariam compreender o que ele tinha — e o que lhe faltava — desde a morte de Leandra.
A mansão parecia mais organizada do que o normal, como se a casa também soubesse que aquele dia exigia aparência de estabilidade. Helena me viu descer as escadas e, pela primeira vez desde que eu chegara, perguntou com doçura direta se eu estava bem. Respondi que sim, porque dizer outra coisa abriria uma brecha que eu ainda não queria explorar com ninguém. Ainda assim, o gesto dela me tocou. A presença dos funcionário