Anny
A mansão inteira parece respirar pela metade. Os corredores estão mais cheios de sussurros do que de gente. Portas batem, reuniões se estendem a portas fechadas, telefones tocam e param quando alguém se aproxima. Até quem não entende exatamente o que está acontecendo sente que algo está prestes a explodir. Eu também mudei.
Antes, eu andava de cabeça baixa, tentando ser invisível. Agora, com Andryel nos braços, é como se eu tivesse recebido uma armadura feita de sono mal dormido, amor e cansaço. Não é que o medo tenha sumido. Ele só deixou de mandar em mim.
Começo a perceber isso em coisas pequenas. Quando um dos seguranças tenta barrar minha passagem para a ala principal:
— A senhora sabe que esse andar é reservado…
— Eu sei. — respondo. — E sei que meu filho também faz parte dessa família. Se quiser, anota aí, a babá exclusiva do herdeiro está descendo para pegar um copo de água.
Ele abre caminho.
Outro dia, uma das tias de Samuel me lança aquele olhar de cima a baixo, percebe