Samuel
No carro, na volta pra casa, o silêncio tinha outro peso. Não era silêncio de briga, nem de assunto engasgado. Era aquele tipo de quietude depois de noite intensa, quando o corpo tá cansado, mas a cabeça ainda repassa tudo.
Eu dirigia com a gravata afrouxada, o blazer aberto. O troféu estava no banco de trás, preso pelo cinto de segurança como se fosse mais um passageiro.
Anny estava ao meu lado, descalça, sapatos na mão, as pernas encolhidas no banco. Ela olhava pela janela, a cidade