ELISA
Meu tempo não é mais meu. Foi fatiado, dividido, roubado. Transformou-se num relógio cruel que nunca para, marcando apenas horas de trabalho.
Segunda a sexta, às 5h30 da manhã. O despertador não toca — não tenho mais celular —, mas o medo e a tensão no corpo me arrancam do sono como um choque elétrico. O sofá da sala de visitas é duro e frio. A casa ainda dorme, um silêncio opressivo que pesa mais que qualquer ruído.
É a hora de Valéria. O preço pela minha estadia de fim de semana, pelo “