ELISA
A marca no rosto é um farol de vergonha. Um selo vermelho e roxo que grita a verdade que a casa inteira se esforça para calar. Não tenho gelo, nem remédio. Só o peso da dor pulsando em uníssono com o medo.
Durmo — se é que se pode chamar aquela vigília tensa de sono — no sofá duro da sala de visitas. Os móveis de veludo cheiram a poeira e abandono. Cada som da casa me faz estremecer: o ronco distante do meu pai, o passo leve de Valéria indo buscar água, a risada abafada de uma das irmãs v