Capítulo 7: O Silêncio Forçado

ELISA

A marca no rosto é um farol de vergonha. Um selo vermelho e roxo que grita a verdade que a casa inteira se esforça para calar. Não tenho gelo, nem remédio. Só o peso da dor pulsando em uníssono com o medo.

Durmo — se é que se pode chamar aquela vigília tensa de sono — no sofá duro da sala de visitas. Os móveis de veludo cheiram a poeira e abandono. Cada som da casa me faz estremecer: o ronco distante do meu pai, o passo leve de Valéria indo buscar água, a risada abafada de uma das irmãs vinda do andar de cima. Sou uma intrusa no meu próprio exílio.

De manhã, encaro o ritual do café com o rosto baixo, o cabelo puxado cuidadosamente para o lado esquerdo. Inútil. A marca é grande, violenta. Meu pai não levanta os olhos do jornal. Valéria me serve uma xícara com gesto mecânico, os olhos pousando na minha face sem pena, apenas com avaliação prática, como se visse um móvel riscado.

— Você vai voltar para o trabalho hoje? — pergunta ela, não por interesse, mas por logística.

— Tenho qu
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