Eu podia sentir os olhos de Ema em mim enquanto abria a porta do quarto. Era um olhar discreto, mas quente, daqueles que parecem encostar na pele e deixar uma marca invisível. Aquilo me atingiu de um jeito perigoso. Eu me sentia aquecido sob aquela atenção, como se um simples olhar fosse capaz de desorganizar a disciplina que eu vinha construindo desde que perdi Olga.
Só que, antes que pudéssemos trocar qualquer palavra, Ema se moveu com naturalidade e foi direto para Olivia. O primeiro instinto dela foi cuidar da minha filha. Ela conferiu o berço, organizou a pequena mala, ajeitou o cobertor como se fizesse aquilo há anos. A delicadeza do gesto me tocou mais do que deveria.
Não deveria. Era o trabalho dela.
Mas eu fiquei tocado mesmo assim.
Eu estava tentando arduamente não me apaixonar por ela, porém era uma tarefa que até um homem distante emocionalmente como eu fracassaria. Ema entrava no meu campo de visão e tudo dentro de mim reagia, como se ela fosse uma ameaça e uma promes