Isabella Fernandes
O céu de Boston estava incrivelmente azul naquela tarde. Um azul tão claro e sereno que fazia a alma parecer mais leve, como se o mundo tivesse sido lavado durante a madrugada e agora acordasse limpo, sorridente. O vento trazia o cheiro fresco das flores recém-regadas, e o jardim da mansão ainda reluzia sob o toque da manhã.
Aurora corria entre os canteiros, os cabelos soltos voando como seda dourada ao vento, o vestidinho rosa dançando ao redor de seus joelhos finos.
— Mais rápido, Isa! Mais rááápido! — gritava ela, com os bracinhos abertos como se fosse voar.
— Calma, princesa! Os flamingos não vão fugir!
Ela deu uma risada tão gostosa, tão alta, que o som parecia capaz de espantar qualquer tristeza. E então tropeçou, como sempre fazia quando ficava animada demais e caiu direto nos meus braços, que já estavam preparados para ampará-la.
— Eu sou rápida demais! — disse com orgulho, aninhando-se no meu colo.
— Você é um foguete disfarçado de menina — respondi rindo,